quinta-feira, 30 de julho de 2015

Livro que emociona e instrui

Há poucos meses, ao acessar o site da Casa Publicadora Brasileira, pude ver que havia um livro em lançamento: A Descoberta, de Michelson Borges e Denis Cruz. A capa me chamou a atenção: em um banco, um homem sentado de costas aparenta contemplar algo. (Mas o que seria? Estaria ele surpreso por ter feito alguma “descoberta?”) Diante do homem, um imenso céu azul repleto de estrelas, que trazem certo mistério e provocam a curiosidade de um leitor em potencial. Decidi comprar o livro. Ao recebê-lo junto com outros da mesma editora, optei por aproveitar meus últimos dias de férias da faculdade para iniciar a leitura (não precisei de 24h sequer! Não que o livro seja tão pequeno, mas por se tratar de uma narração que se desenvolve de maneira instigante). Resumindo, concluí a leitura em pouco mais de três horas seguidas. Emocionei-me em diversos momentos.

Sentada na cama e lendo as passagens que, aparentemente, tinham sido escritas especialmente para mim, pude ter a certeza de que o sucesso no trabalho, a estabilidade profissional, o reconhecimento na universidade, o apreço da família e dos amigos não são suficientes para preencher o vazio que há em nós quando estamos distantes do Senhor.

O que me veio à cabeça ao concluir a leitura? Pensei: “Gostaria de presentear todas as pessoas com esse livro. Todos precisam ler isso!” A meu ver, o livro A Descoberta constitui-se em uma referência para muitas pessoas que pretendem levar a Palavra de Deus a outras e que podem ter como inspiração a linda história de conversão protagonizada pelo famoso cientista Carlos.
       
Michelson Borges e Denis Cruz devem sentir muita satisfação por terem escrito um livro tão especial como esse. Considero que um livro lançado é como uma criança que nasce: passa a existir entre nós e passa a fazer parte da vida de muitas pessoas. Mas há uma diferença: nós nascemos e temos uma vida (terrena) limitada, e uma obra escrita tem a capacidade de perpetuar através dos tempos. Isso é muito bom! Saber que essas lindas mensagens inspiradas por Deus poderão ser levadas a tantas outras pessoas e transformar a vida de cada uma delas.
        
Tenho um amigo que é graduado em Biologia e está concluindo o Mestrado em Biotecnologia.  Emprestei A Descoberta para ele. Dois dias depois, almoçamos juntos. Ao conversarmos, eu disse: “Como está a leitura do livro que te emprestei?” Então, ele respondeu: “Patrícia, estou no capítulo 8 do livro e já chorei emocionado.” Pude compreendê-lo plenamente, pois isso também tinha acontecido comigo.
     
Trata-se de um livro de linguagem simples e contemporânea (gostei quando faz menção ao quarteto Arautos do Rei – grupo que, a meu ver, simboliza a música da Igreja Adventista do Sétimo Dia), onde cada palavra é disposta de forma engrandecedora. Oro ao Senhor para que Ele continue abençoando esses autores (e tantos outros desse segmento) para que continuem sendo instrumentos de Deus para propagar Seu amor.

(Patrícia Vilela das Neves, graduanda em Letras pela UPE/Campus Garanhuns e discente do Curso de Inglês MyEnglishOnline/CAPES/MEC)

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Leia também: "A Descoberta: impressões dos leitores"

Uma jovem mulher percebe que tem abusado do marido por anos sem se dar conta


Nota: Este texto tornou-se viral nos Estados Unidos esta semana. A autoria dele é anonima, mas mesmo assim achei fantástico. Acredito que uma das melhores coisas que podemos fazer pros nossos filhos é viver um relacionamento saudável com nossos maridos e é disso que este texto trata, por isso resolvi traduzi-lo e publicá-lo aqui! [Palavras de Tathiana Schulze].
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Minha ficha caiu por causa de um pacote de hamburguers. Eu pedi ao meu marido para parar na loja pra comprar algumas coisas pro jantar. Quando ele chegou em casa, ele colocou as sacolas em cima da mesa e eu percebi que que ele tinha comprado um hamburguer diferente do que eu normalmente compro.
Eu perguntei: “o que é isso?”
“Hamburgers congelados” ele respondeu, meio confuso.
“Você não comprou o tipo correto”, eu disse.
“Não? Por que?” Ele respondeu com sua testa enrugada.”
“Eu sempre compro hamburguer feito com carne de primeira e este é de segunda”.
Ele sorriu e disse “Ah, é só isso? Eu pensei que eu tivesse me confundido com algo grande”
E foi assim que começou. Eu dei um sermão pra ele. Eu reclamei que ele não era inteligente. Por que ele não comprou a carne de melhor qualidade e mais saudável? Ele leu a embalagem? Por que eu não posso confiar nele? Eu também me indignei porque como poderia ele não notar nestes anos todos que eu sempre compro o hamburguer de primeira? Será que ele nunca presta atenção em nada?
E enquanto ele ouvia minha indignação por causa do hamburguer, murmurando que não era um problema tão grande e que ele iria comprar o correto da próxima vez, eu vi seu rosto mudar de expressão. Eu já via esta expressão algumas vezes nos últimos anos. Uma mistura de desmoralização e resignação. Parecia com a cara que meu filho faz quando é corrigido. E eu pensei: “Por que eu estou fazendo isto? Eu não sou a mãe do meu marido!”
E eu subitamente me senti terrível. E envergonhada. Ele estava certo. Não era algo tão importante pra eu ficar tão irritada. E eu perdi a cabeça por causa de um pacote de hamburguer que ele generosamente parou pra comprar assim como eu tinha pedido. No meio de me sentir envergonhada, eu apenas murmurei algo como “ah, vou ter que me virar com este hamburguer mesmo” e fui começar o jantar.
Ele parecia aliviado que a discussão tinha acabado e saiu da cozinha.
E então eu me sentei e pensei honestamente sobre o que eu tinha acabado de fazer. Algo que eu já tinha feito tantas outras vezes, provavelmente.
O “momento do hamburguer” certamente não foi a primeira vez que eu dei uma bronca no meu marido por não fazer as coisas como eu acho que deveriam ser feitas.  Lembro-me de várias vezes que o critiquei por colocar algo no lugar errado ou esquecer alguma coisa e eu estava sempre ali pra mostrar pra ele seu erro.
Por que eu faço isso? Que benefício me traz sempre diminuir meu marido? O homem que eu recebi como meu parceiro pra vida toda. O pai dos meus filhos. O homem que eu quero ter ao meu lado pra sempre. Por que eu faço aquilo que muitas vezes as mulheres são acusadas de fazer: tentar mudar o jeito que ele faz cada pequena coisa? Será que estou indo a algum lugar com isso?
Por que o meu jeito tem que ser o jeito certo e o jeito dele o jeito errado? Desde quando se tornou correto corrigi-lo e apontar cada coisa que ele faz que não é como eu gostaria?
E como isso o beneficia? Será que isso o faz pensar: “Uau, certamente eu sou sortudo dela me colocar na linha o tempo todo.” Eu duvido. Provavelmente ele acha que eu estou no pé dele sem motivo e o leva a se afastar.
Esses dias achei um caco de vidro no lixo. Perguntei a ele o que tinha acontecido. Ele me disse que quebrou um copo mas preferiu não me falar pois não queria que eu reclamasse por causa disso.
Outro dia encontrei um par de meias no lixo. Peguntei a ele o que tinha acontecido. Ele me disse que tinha por acidente colocado as meias brancas junto com a roupa colorida na máquina de lavar. Quando viu as meias manchadas, preferiu jogá-las do que me ouvir dizer pela centésima vez como separar as roupas brancas das coloridas.
Então chegamos a um ponto que ele achava mais fácil e menos estressante esconder as coisas do que admitir que ele cometeu um pequeno erro. Que tipo de ambiente eu criei que o faz acreditar que ele não pode cometer erros?
E vamos dar uma olhada nestes “erros”. Um copo quebrado. Meias manchadas. Erros normais que qualquer um pode fazer.  Mas ele estava certo. Muitas vezes quando ele cometia um pequeno erro, eu passava um sermão de como as coisas deviam ser feitas. Ele sempre ouvia por um tempo e depois dizia: “acho que essas coisas não são tão importantes pra mim.”
Agora eu entendo o que ele queria dizer: “estas coisas que te deixam tão chateadas são pequenos detalhes, uma questão de opinião, uma preferência, e eu não vejo porque fazer uma guerra disso.” Mas eu interpretava como se ele não se importasse comigo ou se como ele não entendesse as coisas. No meu inconsciente eu pensava que eu era a que fazia as coisas funcionar aqui em casa.
Eu comecei a observar minhas amigas e notar as coisas que elas reclamavam nos seus maridos e comecei a perceber que não estava sozinha. De alguma forma, muitas de nós acreditamos na mentira de que a esposa sempre sabe melhor e é o cérebro da casa.
É um estereotipo fácil de se acreditar. Olhe na midia. Tvs, filmes, propagandas. Cheios de maridos bobões com esposas inteligentes e sabem-tudo. Eles não sabem cozinhar. Eles não conseguem cuidar das crianças. Se você pedir pra ele comprar duas coisas, ele vai voltar com duas, e uma delas estará errada. Eles são todos iguais. Dia a dia estas são as imagens que vemos na mídia.
O que essa constante reclamação e murmuração faz é enviar uma mensagem aos nossos maridos de que nós não os respeitamos. Nós não acreditamos que eles sejam inteligentes o suficiente pra fazer as coisas certas. Nós já sabemos que você vai fazer besteira. Se ele for um homem seguro, provavelmente ele vai se sentir ressentido com você. Se ele for inseguro, possivelmente ele vai começar acreditar em você e achar que ele não sabe fazer nada direito. E nenhuma destas respostas serão boas e benéficas pra vocês e nem pro casamento.
E quando penso em situações opostas, quando eu fui quem cometi os erros, vejo que ele foi muito mais graciosos comigo porque ele não fica querendo me mudar em cada pequeno detalhe.
O ponto central em tudo isso é que eu escolhi este homem como meu marido. Ele não é meu empregado. Ele não é meu escravo. Ele não é meu filho. Quando eu casei com ele, eu não achava que ele era um estúpido. Ele não precisa ser repreendido por mim só porque eu não gosto do jeito que ele faz certas coisas.
Quando eu entendi isso, eu comecei a perceber todas as coisas boas nele. Ele é inteligente, uma ótima pessoas, ele é otimo com as crianças. Além disso, ele não me repreende cada vez que eu faço algo diferente do que ele, pelo contrário, ele cede muitas vezes pro meu jeito de fazer as coisas. E em vez de focar nestas coisas, eu estava focando só no negativo. E eu sei que não sou a única que faço isso.
Se nós continuarmos a fazer nossos maridos se sentirem mal porque eles cometem erros ou não fazem as coisas exatamente como gostamos, é bem possível que eles parem de se envolver ou começem a acreditar que eles são incapazes mesmo.
No meu caso, estou falando do meu companheiro de muitos anos. O mesmo que troca o pneu do meu carro na chuva, que cuida de mim quando estou doente, que ensinou nossos filhos a andar de bicicleta.
O homem que sempre trabalhou duro pra proporcionar uma vida decente para nós.  E as vezes eu fico brava por causa de um prato fora do lugar.
Desde que percebi isto, estou mudando, e o clima aqui em casa melhorou muito. Estamos mais a vontade um com o outro e nos vemos como companheiros do mesmo time em vez de oponentes. Aprendi até a ver que o jeito dele de fazer as coisas é muitas vezes melhor que o meu.
São necessárias duas pessoas para que uma parceria aconteça. Nenhum está sempre certo e nenhum está sempre errado. E nem sempre veremos as coisas exatamente do mesmo jeito. Você não se torna melhor, ou mais inteligente, ou superior por apontar cada coisinha que não é como você queria. Amigas, lembrem-se, é apenas carne para hamburguer!
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Este texto não é de minha autoria. Procurei pela autora mas este texto foi escrito em anonimato e se tornou viral aqui nos Estados Unidos no mês de maio, sendo republicado em centenas de sites. A tradução foi feita por Tathiana Schulze e se você quiser ler o original em inglês pode procurar aqui:
http://brando.tickld.com/x/woman-realizes-that-shes-been-accidentally-abusing-her-husband-this-whole-time

terça-feira, 28 de julho de 2015

Por que Deus criou a mulher?


Por Rosana Trevisoli Porte e Wilson Porte
Tudo o que Deus cria, ele cria com um propósito. Quando ele criou os céus, não foi para ser habitado pelos peixes. Quando ele criou os mares, não foi para que nele construíssemos cidades. Assim nós também; quando criamos alguma coisa, sempre criamos com um propósito;
Exemplo: O que acontecerá se nós quisermos triturar pedras em um liquidificador? Ele ficará todo danificado, pois não foi feito para triturar pedras, mas frutas e alimentos. O mesmo se nós colocarmos a louça suja dentro de uma máquina de lavar roupa, não dará muito certo, pois esta foi criada com o propósito de lavar roupa!
ASSIM, TAMBÉM, quando Deus criou a mulher, ele a criou com um propósito. Vamos ver com qual propósito ele a criou.
MULHERES PODEM TRABALHAR?
A Bíblia fala de várias mulheres que trabalhavam. Todas elas faziam o que faziam pensando em agradar a Deus com seu trabalho. Atos 9.36-39: Dorcas era uma espécie de costureira que abençoava a vida de pessoas com o fruto do seu trabalho na cidade de Jope. Romanos 16.1-6: Duas mulheres são mencionadas como pessoas que trabalhavam para a igreja em Roma (Febe e Maria).
Em 1Timóteo 5.9-10, quando Paulo instrui quais viúvas poderiam ser ajudadas pela igreja. Um dos pré-requisitos, é que elas tenham sido mulheres que tiveram boas obras, ou seja, boas ações, bons “serviços” em favor do próximo. Com isso, a Bíblia deixa claro para nós que as mulheres não devem apenas ficar em casa realizando serviço do lar, mas outros serviços cujo foco seja abençoar vidas.
COMO ELAS DEVEM SER NO LAR?
Em Gênesis 2.18, Deus apresenta a principal razão de ter criado a mulher: “Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea”.
A mulher foi criada por Deus para ser um auxílio ao homem, assim como o próprio Deus é um auxílio ao homem (Salmo 60.11: “Presta-nos auxílio na angústia, pois vão é o socorro do homem.” e Salmo 63.7: “Porque tu me tens sido auxílio; à sombra das tuas asas, eu canto jubiloso”).
Só Deus e a mulher são chamados de “auxiliadores” na Bíblia. Deus para a humanidade, e a mulher para se marido e família.
Para a mulher, não é pouca coisa ser comparada com Deus em sua missão. Muitas coisas podem atrapalhar a missão da mulher em seu serviço no lar.
A Bíblia não é contra mulheres trabalharem, mas é contra esse espírito moderno de competição entre homens e mulheres pelo mercado de trabalho, ou, por essa importância exagerada que muitas mulheres dão às suas carreiras profissionais, deixando de ser um auxílio espiritual para seus filhos e maridos (lembre-se dos exemplos do liquidificador e da máquina de lavar roupas).
Em 2Timóteo 1.3-5, Paulo fala com alegria do papel da avó e da mãe de Timóteo em sua educação e auxílio espiritual no caminho do Senhor.
COMO ELAS DEVEM SER NO EVANGELHO?
A Bíblia fala honrosamente de algumas mulheres, mostrando como suas vidas agradaram a Deus. Uma delas é Ana, a profetisa de Jerusalém. Em Lucas 2.36-38, fala de como ela tinha uma vida de oração e de jejuns.
Em 1Pedro 3.3-4, a Bíblia fala sobre como as mulheres devem se preocupar mais com o seu interior do que com seu exterior. Isso não significa que as mulheres não devam se preocupar com sua aparência, mas que elas devem dar tanto ou mais importância para o que Deus está vendo em seus corações do que para o que as pessoas estão vendo em seu exterior.
CONCLUINDO
Muitas outras coisas poderiam ser ditas sobre o papel da mulher.
Estas são apenas algumas informações que a Palavra de Deus nos dá para que as mulheres possam viver de um modo agradável a Deus e que não se desviem daquilo que Deus espera delas. Agradar e obedecer a Deus traz muita alegria ao coração de qualquer pessoa;
Enquanto as mulheres, como mulheres, estiverem vivendo do modo com Deus espera, Deus as sustentará e abençoará, com muita alegria, pois elas estarão vivendo para aquilo que foram criadas.
Honrar a Deus e viver segundo os propósitos de Deus só traz alegria ao nossos corações.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Cultura ou Escritura?


A declaração de Ellen White de que a Bíblia é “a voz de Deus nos falando […] como se pudéssemos ouvi-la literalmente” (Testemunhos para a Igreja, v. 6, p. 393) é, ao mesmo tempo, confortante e desafiadora.
Ela é facilmente aceita quando a Bíblia diz que “Deus é amor” (1Jo 4:8), que Jesus foi preparar “moradas” para nós (Jo 14:2) e que ele pode “nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1:9).
No entanto, a mesma Bíblia também afirma que os israelitas foram instrumentos divinos para punição dos cananeus (Lv 26:7, 8), que o escravo Onésimo deveria voltar para seu senhor (Fm 12), que as mulheres devem ser “sujeitas” ao marido (Ef 5:22; 1Pe 3:1) e que os “efeminados” não herdarão “o reino de Deus” (1Co 6:10). Para muitos, nisso, a Bíblia entra em choque com os valores mais lógicos e atuais e deixa de parecer a voz de um Deus de amor.
Inclusão e igualdade são hoje ideais hegemônicos. É coerente e atual abrir espaço para as minorias marginalizadas. Defender os direitos femininos irrestritos é politicamente correto. Diante disso, certas declarações bíblicas têm causado constrangimento. As indagações surgem às dezenas:
Por que Deus manteria aliança com os israelitas se eles fizeram “pior” do que os cananeus que haviam contaminado a terra de Canaã (2Rs 21:9)? Não teria essa história sido narrada da perspectiva de Israel, retratando os cananeus como ímpios, quando na verdade os israelitas foram piores do que eles? Por que a escravidão foi tolerada ao longo de séculos sem nenhuma condenação direta? Por que a Bíblia, desde o princípio, não estabeleceu a igualdade entre homem e mulher, combatendo o machismo? Por que a marginalização não foi encarada corajosamente, da mesma forma que Jesus defendeu a mulher adúltera?
Lentes da cultura
Para muitos, a resposta é simples: a verdade bíblica, transmitida pelos autores inspirados, se acomoda às estruturas socioculturais do contexto em que foi escrita. Essa abordagem procura resolver os dilemas causados pelo relato bíblico quando este entra em choque com os valores e a visão de mundo do tempo atual. Para os defensores do ponto de vista da verdade aculturalizada, o relato bíblico da criação, por exemplo, incorpora as ideias mitológicas do tempo de Moisés e a descrição dos costumes sociais reproduz os valores do contexto em questão sem interferir neles. Portanto, essas pessoas defendem que, hoje, o ensino das origens deve substituir as ideias de Moisés pela visão dominante da ciência. Da mesma forma, uma abordagem atual da condição da mulher e dos excluídos deve incorporar o sentimento de igualdade e inclusão predominantes.
Além disso, a valorização da pluralidade na cultura pós-moderna tem fomentado leituras diversas da Escritura, possibilitando a cada grupo social uma teologia específica. Existe a teologia da libertação, que usa a Bíblia para dar voz aos pobres e oprimidos; a teologia feminista, que empreende a defesa da mulher; a teologia negra e a teologia homossexual, em defesa dos marginalizados. Todas essas abordagens partem da suspeita de que há sistemas de dominação na sociedade e que a tarefa da teologia é desmontar tais estruturas sociais e promover a emancipação das diversas classes oprimidas. Henry A. Vikler afirma que “a hermenêutica da suspeita reivindica a tarefa de desmascarar a visão de mundo em que o texto bíblico se apoia, a qual se suspeita ser o suporte dos poderosos em sua opressão sobre os fracos” (Hermeneutics: Principles and Process of Biblical Interpretation, p. 69).
Orientados por esse espírito desconstrucionista, os teólogos dissecam o texto bíblico como se fosse possível estabelecer quando os autores inspirados estão transmitindo uma verdade espiritual e quando estão apenas refletindo a visão de mundo e as ultrapassadas estruturas socioculturais de seu tempo. Decorre daí a centralidade do intérprete em detrimento da autoridade do texto sagrado.
Submissão à Palavra
Contrariamente a essa tendência de elevar o intérprete acima do autor inspirado e de considerar a Palavra de Deus como acomodada à cultura antiga, Cristo endossou “todas as Escrituras” (Lc 24:27), e Paulo declarou que “toda a Escritura é divinamente inspirada por Deus” (2Tm 3:16).
Em defesa da verdade bíblica, Ekkehardt Mueller afirma que “a Palavra de Deus não é cultural nem historicamente condicionada, mas cultural/historicamente constituída”. Apesar de ser transmitida por meio da linguagem humana, “ela transcende a cultura e nos alcança hoje”. Por isso, diz ele, “o que o texto bíblico significava em seu ambiente original é precisamente o que ele significa para nós hoje”, e toda a verdade bíblica precisa ser entendida a partir de “seu significado original” (Compreendendo as Escrituras, p. 113).
Quando os dilemas sociais são analisados no contexto bíblico, deve-se notar que a salvação é o objetivo primordial da revelação divina. Nessa perspectiva, Deus foi capaz de libertar o povo de Israel da escravidão egípcia, quando essa condição comprometia o plano da salvação, mas ele também foi capaz de entregar esse mesmo povo à escravidão novamente, sob as mãos do rei pagão Nabucodonosor, a quem ele chamou de “meu servo” (Jr 25:9). Libertar e escravizar do ponto de vista social são ações subordinadas ao plano da salvação, que é superior e essencial, ficando subentendido que a escravidão decorre do afastamento do plano salvífico de Deus.
Diante das expectativas dos discípulos acerca da restauração do reino de Israel e da libertação do jugo romano, Jesus foi claro em dizer que o reino de Deus estava dentro deles (Lc 17:20, 21). Esse reino espiritual, que liberta do poder do pecado, é a essência do reino da graça inaugurado por Jesus. Mais tarde, antes da descida do Espírito, ele disse que não competia aos discípulos saber o tempo para a implantação do reino da glória (At 1:6, 7), que incluiria libertação social e política de todo tipo de jugo. O objetivo da manifestação e da ação de Deus na história é a salvação de seus filhos.
É notório que Jesus não só frustrou as expectativas emancipatórias imediatas dos discípulos, mas disse que eles seriam perseguidos e maltratados por causa de seu nome (Lc 21:12). Ele deixou sugerido que Roma continuaria soberana e que perseguiria os próprios crentes. E não esboçou nenhum plano de quebrar esse poder, senão no reino da glória. O plano da salvação é prioritário, e essa questão deve ser levada em conta na leitura dos relatos bíblicos envolvendo questões sociais.
A despeito disso, porém, é preciso considerar que a submissão da mulher na Bíblia não é a mesma da cultura machista do mundo. A relação da igreja com Cristo é o modelo da submissão feminina e da autoridade masculina. O escravo na Bíblia também não é o mesmo escravo da história europeia-americana, pois não raro o escravo em Israel preferia ficar com seu senhor quando ele podia ser livre (Dt 15:13-16). Todos os pecadores, por mais socialmente excluídos que sejam, são salvos mediante o arrependimento e abandono do pecado possibilitados pela graça de Cristo.
Nas últimas décadas, os cristãos têm manifestado grande reverência para com as Escrituras. Nunca se leu tanto a Bíblia nem jamais foram vendidas tantas cópias do livro sagrado. No entanto, as Escrituras têm sido lidas mais como um compêndio de autoajuda do que como revelação da verdade divina.
O teólogo britânico John Barton considera que as hermenêuticas pós-modernas “permitem às pessoas atribuir o significado que elas desejam ver nos textos sagrados”. Essa abordagem oferece um modelo de exegese que proporciona às pessoas “bem-estar dentro de suas comunidades”. Segundo ele, na verdade, os crentes pós-modernos não desejam ser desafiados pelo significado do texto bíblico, a despeito do “lugar de honra” que dão à Bíblia (Cambridge Companion to Biblical Interpretation, p. 18).
Teste da fé
O grande teste da reverência para com a verdade bíblica não é quando a Bíblia afirma o que acreditamos, mas quando ela contraria nossas expectativas e convicções mais íntimas. A mesma voz que diz que Jesus pode perdoar nossos pecados também afirma que a igreja não é deste mundo nem deve se acomodar à cultura secular; em vez disso, precisa ser separada.
O teste da fé é quando a Bíblia diz uma coisa que a ciência, com seus métodos, tem demonstrado o contrário. É quando um autor inspirado faz uma afirmação que entra em choque direto com os valores do nosso tempo. Manter essa afirmação inspirada é não apenas uma questão de fé, mas de submissão.
Nisso, a própria Bíblia nos dá inúmeros exemplos. Jó pôde dizer: “ainda que ele me mate nele esperarei” (Jó 13:15). O pequeno Samuel disse: “Fala, Senhor, porque o teu servo ouve” (1Sm 3:9). A primeira característica da fé é a submissão à voz de Deus.
Vanderlei Dorneles é Doutor em Ciências pela Escola de Comunicação e Artes (USP) e redator-chefe associado na CPB

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Divisões não poderão autorizar a ordenação de mulheres ao ministério pastoral


As 13 divisões da igreja adventista espalhadas pelo mundo não poderão autorizar a ordenação de mulheres ao ministério pastoral. O voto foi tomado nesta quarta-feira, 8 de julho, na assembleia que reúne líderes mundiais da igreja na cidade de San Antonio, Texas (EUA). Dos 2.363 delegados, 1.381 (58%) votaram “não” e 977 (42%) “sim”. Houve cinco abstenções.
O assunto vem sendo discutido pela igreja desde o ano de 1990, quando ocorreu a primeira votação e 76% decidiram pela não ordenação das mulheres. Numa segunda votação, realizada durante a assembleia de Utrecht, na Holanda, 69% também se manifestaram contrários.
Cinco anos depois, na sessão da Associação Geral de Atlanta, em 2010, a pauta veio à tona novamente, acompanhada de uma solicitação para que o assunto fosse reapresentado. Durante dois anos, teólogos de todo o mundo formaram um comitê para tratar do assunto. As conclusões obtidas a partir do estudo aprofundado do tema resultaram numa declaração de consenso sobre a teologia adventista da ordenação (leia o documento abaixo).
Em outubro de 2014, o Concílio Anual da Associação Geral da Igreja Adventista, em Silver Spring, Maryland (EUA), decidiu inserir o item na agenda da 60ª assembleia. A proposta de se promover uma terceira votação sobre o tema recebeu 243 votos favoráveis e 44 contra (houve três abstenções).
Ponto em questão
A pergunta em questão na tarde de hoje foi se as divisões (ou escritórios administrativos da Igreja Adventista) devem permitir que as mulheres sejam ordenadas como pastoras. Por ser o item mais sensível da agenda da 60ª assembleia da igreja, o presidente mundial dos adventistas, Ted Wilson, apelou aos delegados para que buscassem a Deus em oração antes de manifestar sua decisão nas urnas.
Sem perder esse espírito, ao longo de toda a tarde, enquanto dezenas de delegados manifestavam publicamente diferentes opiniões a respeito do tema, a reunião administrativa foi interrompida pelo presidente da mesa, pastor Michael Ryan, para momentos de oração.
Após a decisão, em um discurso solene, o líder mundial dos adventistas reiterou que a votação nesta assembleia não encerra com vencedores ou perdedores. Segundo ele, mais do que nunca a igreja precisa seguir unida e com o foco na missão. [Márcio Tonetti, equipe RA]


DECLARAÇÃO CONSENSUAL SOBRE A TEOLOGIA ADVENTISTA DA ORDENAÇÃO
VOTADO o recebimento e o endosso do documento “Declaração Consensual sobre a Teologia Adventista da Ordenação”, que afirma o seguinte:
Em um mundo alienado de Deus, a igreja é composta por aqueles que Deus reconciliou consigo mesmo e uns com os outros. Por meio da obra salvadora de Cristo, seus membros estão unidos em missão pela fé mediante o batismo (Ef 4:4-6), tornando-se um sacerdócio real, cuja missão é “anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pe 2:9). Os cristãos recebem o ministério da reconciliação (2Co 5:18-20), chamados e capacitados pelo poder do Espírito e pelos dons que Ele derrama sobre cada um para cumprir a comissão evangélica (Mt 28:18-20).
Embora todos os cristãos sejam chamados para usar seus dons espirituais no ministério, as Escrituras identificam algumas posições específicas de liderança que eram acompanhadas da ratificação pública pela igreja de que tais pessoas atendiam os requisitos bíblicos (Nm 11:16, 17; At 6:1-6; 13:1-3; 14:23; 1Tm 3:1-12; Tt 1:5-9). Revela-se que vários desses endossos envolviam a “imposição de mãos”.
As versões da Bíblia em inglês usam a palavra ordenar para traduzir muitas palavras diferentes em grego e hebraico que exprimem a ideia básica de selecionar ou nomear, descrevendo a colocação de tais pessoas em seus respectivos ofícios. Ao longo da história cristã, o termo ordenação adquiriu significados que vão além do que as palavras originalmente subentendiam. Levando em conta esse contexto, os adventistas do sétimo dia entendem que ordenação, no sentido bíblico, é a ação da igreja de reconhecer publicamente aqueles a quem o Senhor chamou e capacitou para o ministério na igreja local e global.
Além da função única dos apóstolos, o Novo Testamento identifica as seguintes categorias de líderes ordenados: os presbíteros e presbíteros-chefes (At 14:23; 20:17, 28; 1Tm 3:2-7; 4:14; 2Tm 4:1-5; 1Pe 5:1) e os diáconos (Fp 1:1; 1Tm 3:8-10). Ao passo que a maioria dos presbíteros e diáconos ministrava em contextos locais, alguns presbíteros eram itinerantes e supervisionavam um território maior, formado por várias congregações, função que pode refletir o ministério de indivíduos como Timóteo e Tito (1Tm 1:3, 4; Tt 1:5).
Por meio do ato da ordenação, a igreja confere autoridade representativa sobre indivíduos para a obra específica de ministério à qual são nomeados (At 6:1-3; 13:1-3; 1Tm; Tt 2:15). Tais papéis podem incluir: representar a igreja, proclamar o evangelho, ministrar a Ceia do Senhor e o batismo, plantar e organizar igrejas, guiar os membros e cuidar deles, opor-se a falsos ensinos e prover serviço geral para a congregação (cf. At 6:3; 20:28, 29; 1Tm 3:2, 4, 5; 2Tm 1:13, 14; 2:2; 4:5; Tt 1:5, 9). Embora a ordenação contribua para a ordem da igreja, ela não confere qualidades especiais aos indivíduos ordenados, nem introduz uma hierarquia monárquica na comunidade da fé. Os exemplos bíblicos de ordenação incluem a concessão de um mandato, a imposição de mãos, jejum e oração e a entrega das pessoas separadas à graça de Deus (Dt 3:28; At 6:6; 14:26; 15:40).
Os indivíduos ordenados dedicam seus talentos ao Senhor e à sua igreja em serviço vitalício. O modelo básico de ordenação foi a nomeação dos doze apóstolos (Mt 10:1-4; Mc 3:13-19; Lc 6:12-16) e o modelo supremo de ministério cristão é a vida e a obra de nosso Senhor, que não veio para ser servido, mas, sim, para servir (Mc 10:45; Lc 22:25-27; Jo 13:1-17). [Tradução: Cecília Eller Nascimento]

segunda-feira, 6 de julho de 2015

É a Associação Geral a voz de Deus?


Os adventistas do sétimo dia creem que uma assembleia da Associação Geral tem autoridade sobre as principais demandas administrativas, doutrinárias e missionárias da igreja. Esse entendimento está diretamente relacionado à expressão “voz de Deus”, termo usado por Ellen White para se referir à função que as periódicas reuniões mundiais da igreja desempenham.

Umas das declarações mais enfáticas dela a esse respeito é a seguinte: “Quando numa Assembleia Geral é exercido o juízo dos irmãos reunidos de todas as partes do campo, independência e juízo particulares não devem obstinadamente ser mantidos, mas renunciados. […] Deus ordenou que os representantes de sua igreja de todas as partes da Terra, quando reunidos numa Assembleia Geral, devam ter autoridade” (Testemunhos Seletos, vol. 3, p. 408, itálico acrescentado).

A declaração acima é bem clara sobre o posicionamento de Ellen White a respeito da eclesiologia adventista. Segundo ela, o próprio Deus conferiu à assembleia da Associação Geral autoridade sobre os assuntos da igreja mundial e que esses jamais devem ser substituídos por posicionamentos particulares.
No entanto, essa declaração absoluta de Ellen White parece estar em contradição com outros posicionamentos dela. Por exemplo, em 1901, ao se referir à negligência da administração geral da igreja em relação ao trabalho no sul dos Estados Unidos, ela escreveu:

“O povo perdeu a confiança naqueles que administram a obra. Contudo, ouvimos que a voz da Associação [Geral] é a voz de Deus. Cada vez que ouço isso, penso que é quase uma blasfêmia. A voz da Associação [Geral] deve ser a voz de Deus; mas não é, porque alguns ligados a ela não são homens de fé e oração, não possuem princípios elevados. Não buscam a Deus de todo o coração” (Manuscrito 37, 1901, p. 8, [abril de 1901, palestra da Ellen White na capela da editora Review and Herald acerca do trabalho no sul dos Estados Unidos], itálico acrescentado).

A forte crítica acima foi dirigida a alguns líderes da Associação Geral que, segundo ela, não buscavam “a Deus de todo o coração” e centralizavam em si mesmos o poder de decisões, especialmente no que diz respeito ao envio de recursos para regiões a serem alcançadas. Em relação à obra que Edson White desenvolveu no sul dos Estados Unidos, Roos Winkle afirma que, embora a Associação Geral a reconhecesse como responsável pela evangelização dos afro-americanos, “foi em grande parte uma obra autossustentável, teve a aprovação dos líderes da igreja, mas com o apoio financeiro direto mínimo” (The Ellen G. White Encyclopedia, p. 1.181).

Essa negligência de parte do staff da Associação Geral levou Ellen White a criticar fortemente a administração da época e não permitir que houvesse confusão a respeito do que, de fato, deve ser considerado como a “voz de Deus”. Para ela, as decisões daqueles líderes autoritários e sem visão missionária não podiam representar a vontade de Deus (The Ellen G. White Encyclopedia, p. 1255).

Em nenhum momento, nessa passagem e em outras em que crítica semelhante é feita por ela, estão em pauta as decisões de uma assembleia geral, mas, sim, os posicionamentos arbitrários de líderes isolados. A maior parte das críticas contundentes de Ellen G. White à Associação Geral nas quais ela nega que esta seja a “voz de Deus” está relacionada ao modelo administrativo que perdurou na denominação até a reforma de 1901/1903. Seus posicionamentos agudos tinham como propósito encorajar importantes mudanças estruturais na igreja.

De acordo com Winkle, “essas avaliações negativas a respeito da Associação Geral […] não foram substancialmente retificadas até as assembleias gerais de 1901 e 1903. A centralização da autoridade e poder real, combinada com a má gestão financeira e a ausência da voz de Deus refletida em verdadeira espiritualidade na vida de alguns em posições elevadas, foram algumas das razões que ela deu para essas declarações afiadas” (The Ellen G. White Encyclopedia, p. 1255).

Entretanto, Winkle afirma que, no mesmo período em que Ellen White criticou de forma mais intensa a Associação Geral, ela se manteve submissa à administração da igreja. “No que diz respeito a sua mudança para a Austrália em 1891, ela escreveu que não tinha recebido nenhuma ‘clara luz’ se devia ir […], mas seguiu a ‘voz da Associação [Geral]’ (19MR 228). Em 1896, ela escreveu para seu filho Edson: ‘Não tive nenhum raio de luz de que ele [o Senhor] tenha me enviado a este país [Austrália]. Eu vim em submissão à voz da Associação Geral, à qual eu sempre tenho me mantido sob a autoridade’” [1MR 156]. Winkle acrescenta que, após a reforma administrativa de 1901/1903, Ellen White chegou a repreender seu filho Edson por usar seus testemunhos mais agudos, anteriores a 1901, contra a Associação Geral (The Ellen G. White Encyclopedia, p. 1255).

A postura crítica da mensageira de Deus era claramente dirigida contra certas atitudes de alguns líderes que, segundo sua visão, estavam em desarmonia com os princípios da Bíblia e atravancavam o crescimento da igreja. Seu desejo, no fim do século 19 e início do século 20, era de que ocorresse urgentemente uma reforma administrativa, para que o cumprimento da missão se tornasse possível.

Porém, embora sempre reafirmando sua visão contrária a posicionamentos estritamente particulares, ela em nenhum momento negou a autoridade das decisões tomadas em uma assembleia geral. Para deixar isso claro, afirmou:

“Por vezes, quando um pequeno grupo de homens, aos quais se acha confiada a direção geral da obra, tem procurado, em nome da Associação Geral, exercer planos imprudentes e restringir a obra de Deus, tenho dito que eu não poderia por mais tempo considerar a voz da Associação Geral, representada por esses poucos homens, como a voz de Deus. Mas isto não equivale a dizer que as decisões de uma Associação Geral composta de uma Assembleia de homens representativos e devidamente designados, de todas as partes do campo, não deva ser respeitadaDeus ordenou que os representantes de sua igreja de todas as partes da Terra, quando reunidos numa Associação Geral, devam ter autoridade” (Testemunhos Seletos, v.3, p. 408, itálico acrescentado).

Ellen White entendia que a manifestação da vontade de Deus não pode ser possível enquanto opiniões pessoais e apaixonadas têm supremacia na igreja. Suas declarações críticas iam contra posturas particularistas e autoritárias. Ela entendia que o crescimento impunha compartilhamento de responsabilidades e de poder de decisão. Para ela, a igreja é um organismo mundial e não está restrita a uma área do planeta. Em relação aos rumos da igreja, definidos em uma assembleia da Associação Geral, podemos dizer como Davi: “Por toda a terra se faz ouvir a [voz de Deus]” (Sl 19:4).

Vinícius Mendes é pastor, mestre em Literatura e editor de livros na CPB

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Presidente mundial da Igreja Adventista é reeleito

Wilson disse que estava preparado para qualquer tipo de decisão que fosse tomada na assembleia. Foto: reprodução Adventist Review
O pastor Ted Wilson continuará exercendo a função de líder máximo dos 18,5 milhões de adventistas no mundo durante os próximos cinco anos. Com a aprovação da maioria dos delegados da assembleia, ele foi reeleito na tarde desta sexta-feira, 3, após uma discussão histórica que durou cerca de 37 minutos.
Após a decisão, acompanhado da esposa Nancy, ele fez um breve discurso no qual convocou pastores e membros para se unirem na missão. O pastor Ted Wilson também prometeu buscar diariamente a direção de Deus para liderar a igreja.
Depois disso, ele seguiu para a tradicional coletiva de imprensa. Na conversa com os jornalistas, destacou que a oração e a missão devem continuar sendo as principais ênfases da igreja nos próximos anos.
O homem por trás da função
Até quem discorda da posição do líder mundial adventista sobre a ordenação de mulheres, reconhece que o pastor Ted Wilson é um homem bondoso e apaixonado pelo evangelismo. Quem o descreve assim é o pastor Chad Stuart, líder da Igreja de Spencerville, que fica a 10 km da sede mundial adventista, em Silver Spring, Maryland (EUA).
entrevista feita por Chad e publicada no site da Adventist Review procura retratar um pouco do homem que está por trás da função. O jovem ministro diz que o presidente da igreja é conhecido por orar com os funcionários do escritório mesmo em meio à sua agenda lotada e de deixar cartões pessoais e flores sobre a mesa de um servidor que está enlutado ou que ficou afastado do trabalho por causa de uma doença. Atitudes como essa mostram a sensibilidade do líder em demonstrar compaixão, cristianismo autêntico e até respeito por quem pensa diferente dele.
Na conversa com Chad, Ted Wilson falou do que sentiu quando foi eleito em 2010 e dos valores que recebeu do pai Neal Wilson, que presidiu a denominação de 1978 a 1990, e das diferenças de personalidade entre os dois. Ressaltou que a igreja não é dirigida por um homem apenas, mas por colegiados, o que exige habilidade para ouvir opiniões diversas. Também destacou que não está nervoso em relação à votação sobre a ordenação feminina ao ministério, porque acredita que Deus está no leme da igreja. “Se o Espírito Santo não estivesse dirigindo esse movimento,
ele teria sido desintegrado há muito tempo”, garantiu.
Por fim, Ted Wilson falou de seu entusiasmo com a distribuição, aos milhões, do livro O Grande Conflito, best-seller adventista de autoria de Ellen G. White. E do seu sonho de ver a igreja trabalhando de forma mais intensa, estratégica e holística nas metrópoles, conforme orientou a mensageria do Senhor há mais de cem anos.
Trajetória
Ted Wilson foi eleito como presidente mundial da Igreja Adventista do Sétimo Dia em julho de 2010 durante a assembleia mundial de Atlanta. Nascido em Takoma Park, Maryland (EUA), em 10 de maio de 1950, o filho do ex-presidente mundial da Igreja Adventista Neal C. Wilson passou parte de sua infância no Egito.
Ele começou sua carreira como pastor em 1974 em New York. Em 1975, se casou com a fisioterapeuta Nancy Louise Vollmer Wilson, com quem teve três filhas.
Wilson serviu como diretor assistente e depois como diretor de Ministérios Metropolitanos em Nova York de 1976 a 1981. Logo depois, passou a servir a igreja na Divisão Centro-Oeste Africana como departamental e secretário-executivo.
Sua trajetória também passa pela Rússia, onde exerceu o cargo de presidente da Divisão Euro-Asiática, com sede em Moscou, entre 1992 e 1996.
Ted Wilson retornou aos Estados Unidos para servir como presidente da Review and Herald Publishing Association, em Hagerstown, Maryland, até sua eleição como vice-presidente mundial da Igreja Adventista em 2000, durante a assembleia de Toronto, no Canadá.
Wilson tem doutorado em Filosofia na Educação pela New York University, mestrado em Divindade pela Andrews University e mestrado em Saúde Pública pela Loma Linda University. Além de Inglês, ele fala francês e um pouco de russo. 
[Com informações do site adventist.org] via (Revista Adventista online)

Primeiro dia da assembleia mundial é marcado pela busca da unidade


A assembleia mundial da Igreja Adventista é um fenômeno único, não só no meio religioso, mas numa consideração mais ampla. Qualquer comparação com reuniões semelhantes se mostra insuficiente para traduzir a grandeza e o sentido desse megaevento. A celebração feita por membros do mundo todo, que até lembra a confraternização universal de uma Olimpíada, ainda é mais do que isso. Por reunir líderes que conduzem a Igreja em mais de 200 países, parece um encontro da ONU, mas vai além.
Ao proporcionar uma oportunidade única para centenas de expositores de organizações, ministérios, empresas e artistas de todo o planeta, também é mais do que isso. Por movimentar uma massa humana capaz de alterar o ritmo de uma grande cidade como San Antonio, o encontro também é mais do que números. A assembleia mundial combina todos esses elementos e muitos outros para formar um evento singular, mundial, que impressiona corações, transforma a igreja e define rumos.
Ao se encontrar periodicamente, o adventismo se descobre cada vez maior. E isso não poderia ser mais válido do que na 60a Assembleia da Associação Geral. Com 18,5 milhões de membros, a Igreja Adventista do Sétimo Dia já é a quinta maior denominação cristã do mundo e desempenha um papel cada vez mais relevante na sociedade, num sentido coletivo e em nível individual. Seus membros têm desempenhado papéis cada vez mais importantes. No momento desta assembleia, por exemplo, Ben Carson é pré-candidato à presidência americana, e a cidade de San Antonio tem uma prefeita adventista, Ivy Taylor.
As bênçãos de um crescimento notório trazem consigo seus desafios. O gigantismo de uma igreja representada pela face de um menino pequeno que dá estudos bíblicos numa comunidade no Amazonas também tem seu rosto refletido numa instituição médica de alcance internacional, ou na jovem que serve como voluntária da ADRA em Myanmar. A igreja é vista debaixo de um flamboyant na savana africana, tanto quanto na areia branca da longínqua Micronésia ou no ambiente climatizado de uma igreja em Chicago. Seu alcance global, sua natureza multifacetada, sua missão todo-abrangente produzem um peso equivalente que a igreja precisa administrar.
Expectativa
Os anos assim como as horas que antecederam a assembleia de 2015 foram marcados pela expectativa, até que o momento finalmente chegou com o amanhecer de 2 de julho. Sob o sol nascente do Texas, delegados e participantes caminhavam para não perder a abertura. Protegidos por barreiras e policiais que guiavam o trânsito nos cruzamentos, os primeiros contatos com o estádio coberto Alamodome, próximo à belíssima Torre das Américas, acrescentavam ainda mais solenidade à caminhada. “Esta já é minha sexta assembleia”, compartilhou o pastor Geovani Queiroz, enquanto dava passos rápidos, e acrescentou: “só sabe o que é uma assembleia mundial quem participou de uma.”
Pontualmente às 8 da manhã, música suave e inspiradora era cantada em sequência, sem apresentações, até que oração e cântico congregacional foram seguidos pela leitura do capítulo 7 de Apocalipse (do projeto Reavivados por Sua Palavra) e pelo primeiro devocional, dirigido pelo pastor Janos Kovacs-Biro. As reuniões de oração e adoração servem especialmente para se buscar reavivamento e reforma espiritual.
Primeiras votações

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Os momentos de reflexão deram lugar à chamada business session (algo como “sessão administrativa”), em que temas foram apresentados aos delegados para votação, num tipo de comissão de igreja. A assembleia de delegados exerce a autoridade máxima da igreja, definindo as questões pelo voto individual. A participação de membros e líderes, numa proporção de 50% cada, resguardam o princípio de igualdade nas votações.
Inicialmente, o próprio ato de votar se tornou um motivo para questionamentos. Com a introdução de aparelhos eletrônicos individuais, alguns delegados questionaram a confiabilidade do novo sistema. As perguntas respeitosas, porém, diretas, foram respondidas pelo presidente da comissão, Lowell Cooper, bem como pelo secretário da sede mundial, o cingapuriano G. T. Ng, que reafirmaram a funcionalidade do sistema, que foi utilizado e aprovado no concílio anual da igreja, realizado em outubro de 2014. A habilidade em lidar com questionamentos sinceros chamou a atenção de Friedbert Hartmann, secretário da sede adventista para o Norte da Alemanha: “temos líderes excelentes. Representam bem a igreja”.
As diversas participações chamaram a atenção para notícias animadoras da igreja mundial. Uma homenagem feita pelo pastor Ted Wilson, presidente da Associação Geral, a Alberto Gulfan, ex-presidente da Divisão do Pacífico Sul-Asiático, que deixou o cargo por motivo de saúde e se aposentou. O pastor Wilson também chamou atenção para os 18 chineses presentes na assembleia, que foram saudados por todos os presentes.
Em seguida, Wilson convidou o pastor Raafat Kamal, líder da igreja na Hungria, para falar da reconciliação ocorrida nesse país (clique aqui para saber mais). Famílias dissidentes se mantinham afastadas da denominação há mais de 40 anos. O fim do cisma na Hungria, que conta com apenas 6 mil membros, foi celebrado após décadas de diálogo, especialmente, nos últimos quatro anos.
Consenso
Mas o ponto alto do primeiro dia da assembleia foi a ênfase na unidade. Após um filme “O que poderia ter sido?” (What Might Have Been – Can Be), que retrata um clima de humildade, perdão e reconciliação na assembleia de 1901, que, na verdade, não passou de uma visão de Ellen White sobre o que poderia ter sido aquela reunião e o impacto que ela teria produzido na igreja e no cumprimento da missão. “Se a igreja de Cristo tivesse feito o trabalho, como o Senhor havia ordenado, o mundo inteiro teria sido alertado, e o Senhor Jesus teria vindo à Terra em poder e grande glória” (Review and Herald, 13 de novembro de 1913).
assembleia-San-Antonio-2015-02.07-creditos-leonidas-guedes-26Após o vídeo de 28 minutos, o pastor Wilson conclamou os delegados a tornarem realidade a visão da mensageira do Senhor, buscando um espírito de perdão, reconciliação e respeito mútuo. O chamado foi seguido por um longo momento de oração em duplas e trios. Isso chamou a atenção de um professor da Universidade Valley View, em Gana. “Não devemos vir às reuniões com ideias preconcebidas e divididas. Como no filme, precisamos orar a Deus por perdão, para que ele tenha misericórdia de nós. Os momentos de oração foram muito bons, e eu orei para que isso perdure em nossa mente.”
O chamado à unidade também foi o ponto alto para o pastor Bruno Raso, vice-presidente da sede sul-americana da igreja: “Gostei do apelo à unidade para uma experiência de reavivamento e reforma, que leva ao batismo do Espírito Santo e a igreja a terminar a obra de Deus”. “A busca do entendimento de opiniões foi o que mais me chamou a atenção”, disse Marlon Lopes, tesoureiro e colega de Raso na sede sul-americana. “Se as pessoas prestarem bem a atenção, vão perceber essa tentativa (da liderança) de manter harmonia e o respeito às diferenças.”
As expectativas quanto às reuniões deste ano são grandes: “independentemente das decisões, desejo que a igreja saia mais forte e mais unida. Tenho confiança de que será assim”, conta o pastor Lopes. Lea Jano, líder associada do Ministério da Família na Missão Guam-Micronésia deseja “continuar a ver a igreja unida e que a voz de Deus seja ouvida”. Por sua vez, o pastor Raso acredita que Deus “vai manifestar seu poder. O que Deus permitir será o melhor para a igreja. E a maior expectativa do coração é que essa seja a última assembleia”, afirma. “Deixemos a Palavra de Deus ser suprema em tudo o que estamos fazendo, mesmo em nossas práticas, assim como em nossas crenças, que a Palavra de Deus nos guie”, completa o professor Robert Osei Bosu.
A tarde do primeiro dia das reuniões da assembleia mundial foi ocupada pelas reuniões das comissões de nomeação das sedes continentais (divisões) e pelo funcionamento dos estandes no prédio anexo ao Alamodome, no centro de San Antonio. O restante da tarde contou com a aprovação dos nomes das comissões de nomeações. À noite, a reunião foi marcada pela adoração, louvor e testemunhos, como de costume nas assembleias, com destaque para o relatório das atividades realizadas pela igreja mundial nos últimos cinco anos sob a administração do pastor Ted Wilson.

Apelo da assembleia da Associação Geral
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No apelo à unidade, feito pelo pastor Ted Wilson, foi lida a seguinte mensagem, projetada nos telões e distribuída aos delegados:
“Nós, oficiais da Associação Geral e das Divisões, apelamos a todos os delegados da assembleia da Associação Geral, assim como os demais participantes a aceitar uns aos outros como irmãos e irmãs em Cristo, a despeito de algumas diferenças de opinião que possam ser evidentes sobre certos temas. Pedimos que busquemos a semelhança a Cristo e um respeito humilde de uns pelos outros em nossas palavras e atividades durante esta assembleia da Associação Geral e depois dela. Pelo poder de Deus, nosso comportamento humilde e atitudes falarão alto àqueles que nos veem. Apelamos intensamente para que façamos tudo ao nosso alcance para fortalecer a igreja – este precioso movimento adventista. Nós nos apoiamos completamente em Cristo pelo espírito unificador que nós necessitamos ao proclamar as três mensagens angélicas nestes últimos dias da história da Terra.